Comunicação & Arte

REFERÊNCIA

Para onde irão os indignados e os “occupiers”?

Leonardo Boff
Teólogo/Filósofo

Uma das mesas de debates importante no Forum Social Temático em Porto Alegre, da qual me coube  participar, foi escutar os testemunhos vivos dos Indignados da Espanha, de Londres, do Egito e dos USA. O que me deixou muito impressionado foi a seriedade dos discursos, longe do viés anárquico dos anos 60 do século passado com suas muitas “parolle”. O tema central era “democracia já”. Revindicava-se uma outra democracia, bem diferente desta a que estamos acostumados, que é mais farsa do que realidade. Querem uma democracia que se constrói a partir da rua e das praças, o lugar do poder originário. Uma democracia que vem de baixo, articulada organicamente com o povo, transparente em seus procedimentos e não mais corroída pela corrupção. Esta democracia, de saida, se caracteriza por vincular justiça social com justiça ecológica.

Curiosamente, os indignados, os “occupiers” e os da Primavera Árabe não se remeteram ao clássico discurso das esquerdas, nem sequer aos sonhos das várias edições do Forum Social Mundial. Encontramo-nos num outro tempo e surgiu uma nova sensibilidade. Postula-se outro modo de ser cidadão, incluindo poderosamente as mulheres antes feitas invisíveis, cidadãos com direitos, com participação, com relações horizontais e transversais facilitadas pelas redes sociais, pelo celular, pelo twitter e pelos facebooks. Temos a ver com uma verdadeira revolução. Antes as relações se organizavam de forma vertical, de cima para baixo. Agora é de forma horizontal, para os lados, na imediatez da comunicação à velocidade da luz. Este modo representa o tempo novo que estamos vivendo, da informação, da descoberta do valor da subjetividade, não aquela da modernidade, encapsulada em si mesma, mas da subjetividade relacional, da emergência de uma consciência de espécie que se descobre dentro da mesma e única Casa Comum, Casa, em chamas ou ruindo pela excessiva pilhagem praticada pelo nosso sistema de produção e consumo.

Essa sensibilidade não tolera mais os métodos do sistema de superar a crise econômica e derivadas, sanando os bancos com o dinheiro dos cidadãos, impondo severa austeridade fiscal, a desmontagem da seguridade social, o achatamento dos salários, o corte dos  investimentos no pressuposto ilusório de que desta forma se reconquista a confiança dos mercados e se reanima a economia. Tal concepção é feita dogma e ai se ouve o estúpido bordão:“TINA: there is no alternative”, não há alternativa. Os sacrílegos sumos sacerdotes da trindade nada santa do FMI, da União Européia e do Banco Central Europeu deram um golpe financeiro na Grécia e na Itália e puseram lá seus acólitos como gestores da crise, sem passar pelo rito democrático. Tudo é visto e decidido pela ótica exclusiva do econômico, rebaixando o social e o sofrimento coletivo desnecessário, o desespero das famílias e a indignação dos jovens por não conseguirem trabalho. Tudo pode desembocar numa crise com consequências dramáticas.

Paul Krugmann, prêmio Nobel de economia, passou uns dias na Islândia para estudar a forma como esse pequeno pais ártico saiu de sua crise avassaladora. Seguiram o caminho correto que outros deveriam também ter seguido: deixaram os bancos quebrar, puseram na cadeia os banqueiros e especuladores que praticaram falcatruas, reescreveram a constituição, garantiram a seguridade social para evitar uma derrocada generalizada e conseguiram criar empregos. Consequência: o pais saiu do atoleiro e é um dos que mais cresce nos paises nórticos. O caminho islandês foi silenciado pela midia mundial de temor de que servisse de exemplo para os demais países. E a assim a carruagem, com medidas equivocadas mas coerentes com o sistema, corre célere rumo a um precipício.

Contra esse curso previsível se opõem os indignados. Querem um outro mundo mais amigo da vida e respeitoso da natureza. Talvez a Islândia servirá de inspiração. Para onde irão? Quem sabe? Seguramente não na direção dos modelos do passado, já exauridos. Irão na direção daquilo que falava Paulo Freire “do inédito viável” que nascerá desse novo imaginário. Ele se expressa, sem violência, dentro de um espírito democrático-participativo, com muito diálogo e trocas enriquecedoras. De todas as formas o  mundo nunca será como antes, muito menos como os capitalistas gostariam que ficasse.

AGENDA

- Show dia 23/03/2012 com Coletivo Universal – ECLA – Espaço Cultural Latino Americano

- Show dia 11/04/2012 com Kalki (Instrumental) – ECLA – Espaço Cultural Latino Americano

Atualmente sou oficineiro (Arte-Educação) em dois projetos distintos.

1 -  Movimento Pé no Chão          #movimentopenochao .

Projeto piloto do Governo do Estado de São Paulo de prevenção ao álcool para jovens e adolescentes.

2 -  Minha Vida Mobile – MVMob

Projeto de  integração das mídias móveis (celular) no processo pedagógico

CONFIRA VIDEO

A CARTA DA HUMANIDADE

Santiago de Chile, 07 de outubro de 2011.

Nós, indivíduos da espécie humana, que, no exercício de nosso livre arbítrio, assinamos este documento: “A CARTA DA HUMANIDADE”, declaramos não mais reconher a autoridade de nenhuma instituição sobre nós e proclamamos a nossa soberania sobre nós mesmos.

E, já, como soberanos de nós mesmos, realizamos o nosso primeiro ato de soberania: assumimos, entre nós, assinantes deste documento, o compromisso de apoiar-nos, mutuamente, a fim de cumprir com o nosso maior propósito existencial:  a felicidade, e convidamos a todos, que ainda não o assinaram, a juntar-se a nós nesta autêntica declaração de independência em relação a todo e qualquer mecanismo de coerção da liberdade humana, onde manifestamos nosso repúdio permanente à dúvida sobre nosso próprio potencial, ao ódio, ao individualismo, à escravidão,  à desigualdade, à não-fraternidade e à injustiça.

Este compromisso de apoio mútuo se formaliza na constituição da Comunidade Livre, a comunidade dos livres, para que, através dela, em espírito de cooperação, possamos materializar todas as condições necessárias para a criação e manutenção de um ambiente que, em sua totalidade, seja favorável à nossa felicidade, ou seja, ao nosso pleno desenvolvimento espiritual, familiar, social, científico, econômico, cultural e político.

Tendo por objetivos fundamentais a auto-realização existencial, o bem comum e o estabelecimento do diálogo como único meio para a resolução pacífica de todo e qualquer conflito e tendo por valores fundamentais a fé em nosso próprio potencial, o amor, a solidariedade, a liberdade, a igualdade, a fraternidade e a justiça, a principal ação da Comunidade Livre será ocupar, regularmente, de forma pacífica, o principal espaço público de cada cidade onde estiver presente, para desenvolver, de forma auto-gestionada, as seguintes iniciativas: a Universidade Livre, a Cooperativa Livre, o Centro Cultural Livre e o Fórum Livre, registrando-as e difundindo-as por meios de comunicação próprios, a fim de conscientizar a humanidade de que deve assumir a responsabilidade de decidir livremente sobre seu próprio destino, não delegando mais este poder aos Estados Nacionais, que estiveram, estão e estarão, enquanto existirem, ao serviço dos interesses das grandes corporações e não ao bem-estar dos povos que, teoricamente, por eles são representados.

A Universidade Livre é a ocupação semanal do principal espaço público de cada cidade onde a Comunidade Livre está presente, para a promoção do conhecimento livre, ou seja, organizar o livre intercâmbio de conhecimentos, de maneira libertária, na sua máxima expressão, entre todos os interessados em participar deste processo, considerando que todos somos pensadores livres aptos a receber, processar e compartilhar, construindo, assim, permanentemente, de forma colaborativa, o conhecimento útil à comunidade, sobre o que é real, bom, persuasivo, verdadeiro, eficiente, belo e justo.

A Cooperativa Livre é a ocupação semanal do principal espaço público de cada cidade onde a Comunidade Livre está presente, para a promoção da prosperidade global, ou seja, organizar a livre produção, distribuição e o consumo de bens e serviços, de maneira igualitária, na sua máxima expressão, entre todos os interessados em participar deste processo, considerando que todos somos trabalhadores livres aptos a produzir, distribuir e consumir, construindo, assim, permanentemente, de forma colaborativa, a satisfação de todas as necessidades materiais da comunidade dentro dos paradigmas da auto-suficiência, auto-sustentabilidade e harmonia com o meio ambiente.

O Centro Cultural Livre é a ocupação semanal do principal espaço público de cada cidade onde a Comunidade Livre está presente, para a promoção da consciência de espécie, ou seja, organizar a livre exposição de toda e qualquer manifestação artística, de maneira fraterna, na sua máxima expressão, entre todos os interessados em participar deste processo, considerando que todos somos artistas livres aptos a apreciar, criar e expressar, construindo, assim, de forma colaborativa, permanentemente, o entendimento de que, independente de etnia, credo, gênero, opção sexual, condição social, nível de escolaridade, profissão, talentos, ideologias ou qualquer outra característica ou escollha individual que nos diferencie uns dos outros, somos indivíduos da mesma espécie: a espécie humana, e que esse fator comum é motivo suficiente para estabelecer, entre nós, o sentimento mútuo de fraternidade.

O Fórum Livre é a ocupação semanal do principal espaço público de cada cidade onde a Comunidade Livre está presente, para a promoção do consenso de paz, ou seja, organizar o livre debate de idéias para uma existência mais feliz para toda a humanidade, de maneira justa, na sua máxima expressão, entre todos os interessados a participar deste processo, considerando que todos somos militantes livres aptos a formular propostas, dialogar sobre elas e chegar a um consenso, construindo, assim, de forma colaborativa, a autêntica participação de toda a comunidade em todas as decisões sobre todos os assuntos que cabem a ela resolver.

Estas ocupações do principal espaço público de cada cidade onde a Comunidade Livre está presente, pode se dar em caráter permanente, com ou sem rotatividade, ou em caráter de eventos regulares, esta decisão cabe a cada coletivo local.

Como demonstração pública de nossa unidade, dedicaremos as segundas-feiras para a realização da iniciativa Fórum Livre, dedicaremos as terças-feiras para a realização da iniciativa Centro Cultural Livre, dedicaremos as quartas-feiras para a realização da iniciativa Cooperativa Livre, dedicaremos as quintas-feiras para a realização da iniciativa Universidade Livre e dedicaremos as sextas-feiras a divulgar a Comunidade Livre e suas iniciativas. E, também, como demonstração pública de nossa unidade, convocamos, desde já, a realização de marchas pacíficas em todas as cidades onde a Comunidade Livre está presente, para o meio-dia de cada sábado anterior as mudanças de estação, para denunciar os abusos das instituições que se proclamam soberanas sobre nós: os Estados Nacionais. As demais ações da Comunidade Livre serão fruto da livre iniciativa dos seus coletivos locais e dos indivíduos pertencentes a eles.

Somos pacíficos, mas nos reservamos o direito de auto-defesa e de defesa de terceiros de toda e qualquer tentativa de agressão, pois, não mais reconhecemos a legitimidade do uso da violência por parte de nenhuma instituição e isto não é um jogo, isto é a construção do futuro feliz que desejamos para nós e as próximas gerações e o defenderemos até as últimas consequencias.

Este documento não tem a intenção de oferecer uma resposta a todos os problemas da humanidade nem, tampouco, dizer qual é a forma de organização perfeita para alcançar esta resposta, a resposta para todos os problemas da humanidade está dentro de nós mesmos, a organização perfeita será alcançada no próprio processo de desenvolvimento desta proposta inicial, a intenção deste documento é estabelecer o compromisso de apoio mútuo, entre nós, assinantes deste documento, na livre busca desta resposta, pois, temos fé em nosso potencial para encontrá-la e aplicá-la, e declarar que, reconheçam ou não, já nos consideramos livres de toda e qualquer tirania, pois, não reconhecemos mais o seu poder.

Não queremos impor um novo modo de vida a ninguém, apenas, não queremos mais que imponham a nós este modo de vida de dúvida sobre nossas próprias capacidades, de ódio, de individualismo, de escravidão, de desigualdade, de não-fraternidade e de injustiça que é o capitalismo, nos reconhecemos, desde já, como livres para construir o modo de vida queremos para nós, quem quiser seguir vivendo baixo a tirania dos Estados Nacionais e das grandes corporações que siga, mas exigimos respeito a nossa livre decisão de sermos livres.

Este planeta pertence a todos os seres vivos que nele habitam… Ele é de todos e se é de todos, logo, não é de ninguém, não reconhecemos mais bandeiras nem fronteiras que nos separam.

Que esta carta seja traduzida a todos os idiomas existentes, que seja publicada em todos os cantos da Internet, que seja impressa, que seja distribuída nas ruas, que seja lida em voz alta em todas as assembléias livremente constituídas, que seja entregue a cada miltante livre da humanidade, que seja assinada e enviada a cada instituição religiosa, a cada organização popular, a cada meio de comunicação, a cada universidade, a cada corporação, a cada centro cultural, a cada partido político, a cada governo, a cada força armada, a cada embaixada, a cada escritório das Nações Unidas, para que todos saibam que, definitivamente, somos livres! Que esta carta seja símbolo de nossa unidade e de nossa força: a declaração de nossa independência!

Este momento histórico será lembrado nos livros de história como A REVOLUÇÃO DOS 99%, A REVOLUÇÃO GLOBAL, A REVOLUÇÃO POPULAR, A REVOLUÇÃO CULTURAL DA DÉCADA DE 10, A QUEDA DO CAPITALISMO, QUEDA DOS ESTADOS NACIONAIS, PROCESSO DE INDEPENDÊNCIA DA HUMANIDADE, FUNDAÇÃO DA COMUNIDADE LIVRE DA HUMANIDADE OU QUALQUER OUTRO NOME LEGAL… O nome não importa! O que importa é que será lembrada como a revolução que, definitivamente, libertou a humanidade da tirania dos Estados Nacionais e das grandes corporações, revolução onde os protagonistas foram todos nós.

Indivíduos da espécie humana: UNI-VOS!

Saudações humanas,

EU ASSINO! TU ASSINAS! ELE ASSINA! NÓS ASSINAMOS! VÓS ASSINAIS! ELES ASSINAM! TODOS ASSINAM!

 

COMUNIDADE LIVRE

pensadores livres, trabalhadores livres, artistas livres e militantes livres da humanidade

Música!

Nesta terça-feira (20/09) toco na Cinemateca Brasileira com o Coletivo Universal as 19hs30.

Confira peça de áudio produzida em oficina do Minha Vida Mobile – MVMob em escola de São Paulo – SP

Sábado na pista, nove e meia da manhã

Trampo!

Fazendo parte da equipe de Arte-Educadores da Lynx Consultoria!

SACA O SOM

Está no ar a 4ª edição do podcast SACA O SOM!!

Arte-Educação

Confira trabalhos realizados em oficina de Arte-Educação no último dia 05/07 em Embú das Artes -SP, pelo projeto MVMob – Minha Vida Mobile. Todos produzidos unicamente no celular.

Contação de história coletiva

Mini rádio novela – Lula e o E.T

Trava língua – Aranha arranha a jarra

Dia 01/07/2011  estarei com o Coletivo Universal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Arte-Educação

Segue LINK de áudio produzido em oficina de arte-educação, para o MVMob – Minha Vida Mobile, na última terça-feira (21/07/2011)

Fotos AQUI

LIMONADA

Confira video filmado no celular e editado por mim para o Minha Vida Mobile – MVMob

MULTICONECTADO

Supra Sensorial

Conheça o Supra Sensorial, blog antecessor deste Portal

Extraído de The Irish Press, sexta-feira, 4 de junho de 1976

Em 10 de janeiro de 1854, “O Grande Chefe Branco” (O Presidente americano Franklin Pierce). Em Washington fez uma oferta por uma grande área de território indígena e prometeu uma “reserva” para os índios.

A resposta do Chefe Seattle, aqui reproduzida na íntegra, tem sido considerada uma das declarações mais belas e profundas já feitas sobre o meio-ambiente (talvez seja o primeiro manifesto “ecológico”):

“Como você pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? A idéia é estranha para nós. Se nós não somos donos da frescura do ar e do brilho da água, como você pode comprá-los? Cada parte da Terra é sagrada para o meu povo.

Cada pinha brilhante, cada praia de areia, cada névoa nas florestas escuras, cada inseto transparente, zumbindo, é sagrado na memória e na experiência de meu povo. A energia que flui pelas árvores traz consigo a memória e a experiência do meu povo. A energia que flui pelas árvores traz consigo as memórias do homem vermelho.

Os mortos do homem branco se esquecem da sua pátria quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca se esquecem desta bela Terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da Terra e ela é parte de nós.
As flores perfumadas são nossas irmãs, os cervos, o cavalo, a grande águia, estes são nossos irmãos. Os picos rochosos, as seivas nas campinas, o calor do corpo do pônei, e o homem, todos pertencem à mesma família. Assim, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que quer comprar nossa terra, ele pede muito de nós.

Se o homem ocidental moderno for retirado do planeta Terra, em muito pouco tempo a natureza se recuperará em toda a sua original beleza e fertilidade como se ela tivesse se livrado de uma doença mortal: a moderna e tecnológica civilização humana !!!

O Grande Chefe manda dizer que reservará para nós um lugar onde poderemos viver confortavelmente. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Então vamos considerar sua oferta de comprar a terra.

Mas não vai ser fácil. Pois esta terra é sagrada para nós. A água brilhante que se move nos riachos e rios não é simplesmente água, mas o sangue de nossos ancestrais.

Se vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é o sangue sagrado de nossos ancestrais. Se nós vendermos a terra para vocês, vocês devem se lembrar de que ela é sagrada, e vocês devem ensinar a seus filhos que ela é sagrada e que cada reflexo do além na água clara dos lagos fala de coisas da vida de meu povo. O murmúrio da água é a voz do pai de meu pai. Os rios nossos irmãos saciam nossa sede.
Os rios levam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se vendermos nossa terra para vocês, vocês devem lembrar-se de ensinar a seus filhos que os rios são irmãos nossos, e de vocês, e consequentemente vocês devem ter para com os rios o mesmo carinho que têm para com seus irmãos.
Nós sabemos que o homem branco não entende nossas maneiras.
Para ele um pedaço de terra é igual ao outro, pois ele é um estranho que chega à noite e tira da terra tudo o que precisa. A Terra não é sua irmã, mas seu inimigo e quando ele a vence, segue em frente. Ele deixa para trás os túmulos de seus pais, e não se importa. Ele seqüestra a Terra de seus filhos, e não se importa.

O túmulo de seu pai, e o direito de primogenitura de seus filhos são esquecidos. Ele ameaça sua mãe, a Terra, e seu irmão, do mesmo modo, como coisas que comprou, roubou, vendeu como carneiros ou contas brilhantes. Seu apetite devorará a Terra e deixará atrás de si apenas um deserto. Eu Não sei.

Nossas maneiras são diferentes das suas. A visão de suas cidades aflige os olhos do homem vermelho.  Mas talvez seja porque o homem vermelho é selvagem e não entende. Não existe lugar tranqüilo nas cidades do homem branco. Não há onde se possa escutar o abrir das folhas na primavera, ou o ruído das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não entendo.

A confusão parece servir apenas para insultar os ouvidos. E o que é a vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de um curiango ou as conversas dos sapos, à noite, em volta de uma lagoa. Sou um homem vermelho e não entendo. O índio prefere o som macio do vento lançando-se sobre a face do lago, e o cheiro do próprio vento, purificado por uma chuva de meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.

O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo hálito – a fera, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo hálito. O homem branco parece não perceber o ar que respira. Como um moribundo há dias esperando a morte, ele é insensível ao mau cheiro.

Mas se vendermos nossa terra, vocês devem se lembrar de que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seus espíritos com toda a vida que ele sustenta. Mas se vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la separada e sagrada, como um lugar onde mesmo o homem branco pode ir para sentir o vento que é adoçado pelas flores da campina.

Assim, vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Se resolvermos aceitar, eu imporei uma condição – o homem branco deve tratar os animais desta terra como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não entendo de outra forma. Vi mil búfalos apodrecendo na pradaria, abandonados pelo homem branco que os matou da janela de um trem que passava.

Sou um selvagem e não entendo como o cavalo de ferro que fuma pode se tornar mais importante que o búfalo, que nós só matamos para ficarmos vivos. O que é o homem sem os animais?  Se todos os animais acabassem, o homem morreria de uma grande solidão do espírito.  Pois tudo o que acontece aos animais, logo acontece ao homem.

Todas as coisas estão ligadas.

Vocês devem ensinar a seus filhos que o chão sob seus pés é as cinzas de nossos avós. Para que eles respeitem a terra, digam a seus filhos que a Terra é rica com as vidas de nossos parentes. Ensinem as seus filhos o que ensinamos aos nossos, que a Terra é nossa mãe. Tudo o que acontece à Terra, acontece aos filhos da Terra. Se os homens cospem no chão, eles cospem em si mesmos.

Isto nós sabemos – a Terra não pertence ao homemo homem pertence à Terra. Isto nós sabemos.  Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Todas as coisas estão ligadas. Tudo o que acontece à Terra – acontece aos filhos da Terra. O homem não teceu a teia da vida – ele é meramente um fio dela. O que quer que ele faça à teia, ele faz a si mesmo. Mesmo o homem branco, cujo Deus anda e fala com ele como de amigo para amigo, não pode ficar isento do destino comum. Podemos ser irmãos, afinal de contas.Veremos.
De uma coisa nós sabemos, que o homem branco pode um dia descobrir – nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar agora que vocês O possuem como desejam possuir nossa terra, mas vocês não podem fazê-lo. Ele é Deus do homem, e Sua compaixão é igual tanto para com o homem vermelho quanto para com o branco.
A Terra é preciosa para Ele, o Criador, e danificar a Terra é acumular desprezo pelo seu Criador. Os brancos também passarão, talvez antes de todas as outras tribos. Mas em seu desaparecimento vocês brilharão com intensidade, queimados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e que para algum propósito especial lhes deu domínio sobre esta terra e sobre o homem vermelho.

Esse destino é um mistério para nós, pois não entendemos quando os búfalos são mortos, os cavalos selvagens são domados, os recantos secretos da floresta carregados pelo cheiro de muitos homens, e a vista das montanhas maduras manchadas por fios que falam.

Onde está o bosque?
Acabou.
Onde está a águia?
Acabou.
O fim dos vivos e o começo da sobrevivência”.

Extraído de The Irish Press, sexta-feira, 4 de junho de 1976.

CURRÍCULO

Aí vai meu currículo de jornalista/assessor/produtor/midiassociais. Inclusive, estou disponível para oportunidades fixas e/ou freelas

Acabo de publicar na página ‘MÚSICA‘ o release de meu novo show solo “Sábios 70 e outras brasas”.

Confere lá ;-)

Saca o Som

Confira na página ‘Podcasts‘ as edições do “Saca o Som”. Por enquanto são três, cada uma mais especial que a outra.

A primeira edição tem coisas que ouvia muito na época (e ainda hoje!). Como Orquestra Brasileira de Música Jamaicana e Céu. A segunda edição é uma entrevista exclusiva com a cantora Tita Lima. E a terceira é o repertório de meu novo show solo: “Sábios 70 e outras brasas”.

Tá tudo aqui

Todos em um

Olás,

amigos, amigas, colegas, parceiros, empresas e seguidores.

Resolvi criar este espaço para otimizar a busca, a informação, o tempo e a paciência minha e de quem se interessa pelos meus afazeres.

Como jornalista formado há cinco anos, músico profissional a quinze e produtor cultural há oito tenho uma variedade de trabalhos e perspectivas sobre tanta coisa que tornou-se preciso um portal para centralizar as várias ‘personalidades’. Como disse um amigo.

A partir de agora começa um trabalho de recolhimento de material espalhado pela internet e em meus arquivos para maior esclarecimento a contratantes e interessados em geral.

Aqui você terá o máximo de informações pertinentes minhas, dentro das possibilidades da plataforma WordPress.

Obrigado, paz, luz e vamo que vamo

David :: Bemfica

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